Palestra Davide Boriani (criador da Arte Cinética – Itália)
Um dos criadores da Arte Cinética, o italiano Davide Boriani, fará uma palestra sobre este movimento cultural no dia 1º de junho, às 17h, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba). O Consulado Italiano, por ideia do Cônsul Rafaelle Festa, fará a doação de uma obra de Boriani, uma nova versão de sua criação, "Superfície Magnética", para o Museu Oscar Niemeyer.
A arte cinética é uma vertente das artes plásticas que utiliza efeitos visuais como movimentos físicos, ilusão de óptica, jogos de posicionamento de peças ou máquinas.
Arte em Movimento
Falar sobre a Arte Cinética é também discutir questões inerentes ao desenvolvimento da arte como um todo. Boriani explica que sua arte nasce da busca por aliar espaço e tempo, geralmente consideradas duas dimensões separadas. "Dependendo das formas como são abordadas, as formas de arte que o homem inventou tem uma estrutura fixa e são percebidas no espaço (como pintura e escultura) ou que envolvem movimento e são percebidas ao longo do tempo (como música e cinema)", afirma.
Das rupturas com a representação tradicional da pintura, que movimentaram o século XIX e chegam ao XX, os artistas desconstroem conceitos clássicos, em movimentos como o Futurismo, que coloca as máquinas como obras de arte. Cientistas como Einstein também questionam a divisão de tempo e espaço em dimensões, propondo-as como dois lados do contínuo espaço-tempo.
Estes conceitos foram essenciais no surgimento do Gruppo T, formado por Boriani e mais quatro amigos da Academia de Belas Artes de Brera, em Milão, sua cidade natal. "Fazia afrescos de dia, e meus estudos próprios à noite", comenta o artista sobre o início das pesquisas da arte em movimento. Em 1959, o Gruppo T lançou o primeiro manifesto da Arte Cinética, expondo estas propostas e as primeiras obras no ano seguinte.
"Deixamos de lado o pincel e adotamos o motor elétrico", brinca. Quadros que continham fumaça e balões que inflavam até tomar conta de uma sala interagiam com as pessoas. Usavam até fogo, em um forno atrás de uma chapa de cobre que se oxidava e mudava de cor em frente ao público, que admirava tudo, entre curioso e espantado. E também em frente aos críticos, que rejeitaram suas experiências.
Apesar da classe artística italiana não ter aceitado facilmente o movimento, o patrocínio de empresas como Olivetti chamou atenção de outros países. Chegaram a apresentar trabalhos em Nova York (EUA) e em Paris (França), vendendo algumas obras para colecionadores. Uma obra de Boriani é feita baseada na computação, algo muito inovador nos anos 1960, na qual ele dividia uma obra clássica ("Retrato de Lucretia Panciatichi" de Agnolo Bronzino) em diversos quadrados menores e, através de equações aritméticas, redefinia cada imagem menor baseado em luz e cor.
Diversas releituras surgiam, em um painel quadriculado. "Era a Arte Programmata, igual ao que hoje é o pixel", expõe o artista. Esta relação com a programação computadorizada só viria a ser valorizada pelos críticos nos anos 2000, quando o nome do Gruppo T e de Davide Boriani retomaram destaque no cenário italiano e mundial.
Interatividade
Filho de um operário mecânico, que reunia amigos em casa nos fins de semana para tocar violino, Boriani também encontrou sua maneira de unir arte e tecnologia. Nascido em 1936, foi aprendiz de cenógrafo do Teatro alla Scalla (onde aprendeu muito sobre parte técnica e iluminação), antes de estudar pintura. Em pouco tempo, estas referências se uniram em grandiosas obras, individuais e coletivas após a formação do Gruppo T. Salões com sensores que ativavam luzes, até uma torre de 100 metros de altura, com painéis que refletiam feixes de luz em cores variadas, que nunca se repetiam em um padrão, foram alguns dos marcos do movimento.
A interatividade foi conceito fundamental de sua arte, e Boriani levou ao grupo a proposta de criar obras em quatro dimensões, nas quais o componente temporal é essencial à percepção da obra. "A realidade muda sempre, de maneira que você não pode prever", comenta, sobre essa busca de um movimento imprevisível que não se repete.
E é a partir daí que surge a obra "Superfície Magnética". Um circuito interno movimenta peças de ímãs em círculos menores dentro de um maior, permitindo um movimento mais fluído. Uma placa divide a parte externa, que contem divisórias e limalha de ferro. Os ímãs fazem a limalha "caminhar" pela tela, e as barreiras as separam. Assim, a cada momento há porções diferentes da limalha em cada parte da obra, que se movimenta de maneira imprevisível.
"Superfície Magnética" se tornou uma obra bem marcante em sua carreira, tanto que montou versões diferentes. "Não copio minhas obras. Podem partir do mesmo princípio, mas são sempre diferentes entre si", diz Boriani. São mais de 60 projetos, um para cada versão da obra. Quem o auxilia para arquivar os desenhos originais é a esposa, a brasileira Marlene Seara.
Os dois se conheceram quando Marlene estudou na Itália, e foi aluna do artista - fundador do curso de Design na Academia de Brera. Em 2005, tomaram a decisão de morar em Curitiba, onde vivem até hoje. Obras e protótipos tomam as salas e o escritório do casal, com um espaço exclusivo para a produção, onde Boriani finaliza o trabalho que será doado durante o Mia Cara.
Local: Museu Oscar Niemeyer – MON aqui >
Horário: 17h
Dia: 01 de Junho
Ingresso: Entrada Gratuita - Ingressos podem ser retirados diretamente no MON, 1 hora1 antes do espetáculo.
Categoria: Artes Visuais

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